"Cultura drag é missão." - Gloria Groove

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Qual a credibilidade do All Stars?



Sim, eu sei, é só um programa de televisão. Não é pra levarmos a sério. E eu concordo completamente que nenhuma queen deve ser atacada online (ninguém deveria ser atacado online NUNCA, jamais!), mas gente, sério, qual a credibilidade do All Stars?

Não vou falar do All Stars 1, porque o formato era tosco, mas pelo menos a vitória da Chad foi justa. Alaska foi uma das melhores jogadoras do All Stars 2, mereceu a coroa, mas levou ódio até não aguentar mais nas redes sociais por suas escolhas de eliminação. Ela nunca mais interagiu com fãs e muito raramente dá opinião sobre alguma coisa no twitter ou posta foto no instagram que não seja de trabalho. Valeu a pena? O All Stars 3 nos trouxe a Bendela revoltada, e a Shangela injustiçada num final surreal e absurdo onde as eliminadas escolheram as winners baseadas em seus gostos pessoais e ignorando completamente o histórico de jogo.

Gente, o que é isso? Vocês já jogaram alguma coisa com algum colega de vocês? Vocês tem ética de jogo, se importam com isso? Qual a graça de ganhar assim? Tudo bem, All Stars é um reality show, muita coisa é manipulada, que seja, o que nos é apresentado não é legal de assistir. Sempre começa tudo bem, decisões sensatas, tentativas de jogar justo, até que no final da temporada, foda-se tudo. Pra que a verdadeira merecedora ganhe, é necessário que todas as outras sejam éticas, e isso já se mostrou impossível.

Naomi tem todo o direito de eliminar a mais forte, jogar sujo é uma opção. E nós temos o direito de ficarmos desapontados com ela, tristes pela Manila e nervosos com a chacota que virou o Hall of Fame. Não temos o direito de atacar ninguém online, só pra deixar claro de novo. Agora dizer pra não levar a sério a competição é meio controverso, visto que nós nos apegamos às queens e elas levam bem a sério sim, se esforçam MUITO, trabalham duro, se expõem mais do que o necessário. Basta assistir ao vídeo da Manila assistindo sua própria eliminação pra perceber a tristeza em seu olhar. Era algo importante pra ela e essa foi sua última chance. Ter a coroa ou não, não muda o fato de ela ser uma das melhores drag queens que já passaram pelo programa (inclusive melhor do que muitas winners), mas qualquer pessoa que entra em qualquer jogo não merece ser eliminada de forma injusta. E olha que a Manila tem o espírito muito evoluído e já deixou claro que está tudo bem entre ela e Naomi. O caso não é quem tá bem e quem tá mal, mas sim, o vazio que dá em assistir uma competição onde a melhor jogadora não leva a coroa.  Sério, qual é a graça de assistir isso? Qual é a graça de acompanhar uma disputa cujo tema é “may the best woman win” sabendo que a “best woman” não vai ganhar, porque más condutas são permitidas?


Sei lá. Saíram rumores do elenco de All Stars 5 e eu não consigo sentir a menor vontade de assistir. O programa faz com que drag queens se pareçam macaquinhos dançantes de circo (como tweetou Farrah Moan um tempo atrás) e realmente tem me feito sentir o mesmo descaso que eu sinto por alguns artistas chamados de “pink money”. A produção visa lucro acima de qualquer sofrimento das participantes. Pelo respeito que eu tenho aos artistas drag, tem sido cada dia mais difícil engolir um programa de entretenimento que poderia representá-los muito melhor.



I’m really sorry, Manila.

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#TenYearChallenge RuPaul's Drag Race



A Netflix Brasil voltou a disponibilizar no catálogo nove temporadas de Drag Race, incluindo a primeira, que costuma ser meio esquecida pelos fãs, inclusive por mim mesma, pois eu devo admitir que só parei pra assisti-la agora. E bem, com essa onda de TEN YEARS CHALLENGE, por que não pararmos um minutinho pra perceber o quanto as coisas mudaram entre a temporada um e a temporada dez? E principalmente: o que não mudou e ainda precisa mudar?


Talvez a coisa que mais chama atenção na primeira temporada seja (depois do filtro de imagem) a inocência do formato e das próprias participantes. Ninguém ali sabia direito como seriam os desafios, o que os jurados estavam procurando e como realmente o programa se tornaria um sucesso a ponto de mudar suas vidas para sempre.

Todas as participantes faziam drag há algum tempo e tinham suas personas muito bem definidas, o que as conduziu a um enorme atrito com as críticas dos jurados (que realmente pareciam ter a única intensão de ofendê-las e criar tensão). Tammie Brown foi a primeira a dizer “Quer saber? Meu estilo é esse e eu não vou tentar me adequar por um prêmio em dinheiro”, ao contrário de Shannel, que tentou atender às expectativas dos jurados em vão. E por mais respeito que elas possam ter por RuPaul, não aceitaram o modo negativo como o programa lidava com seus trabalhos. Provavelmente, todas pensaram que Drag Race seria mais como uma vitrine do que como uma disputa agressiva.

Temos alguns dramas claramente forçados pela produção, uma RuPaul bem alegrinha, mas assediando uma das queens pelo seu tuck mal feito (que feio, Ru!). E destoando da atualidade, temos um lipsync battle em que Bebe perdeu a peruca e venceu mesmo assim, coisa que hoje em dia jamais aconteceria.


Não tínhamos ainda Michelle Visage ocupando o espaço de única mulher do programa, mas tínhamos Merle Ginsberg, mais suave e menos exigente.


As queens mal sabiam desfilar, e o desafio em grupo trouxe coreografias super amadoras que em 2019 seriam MASSACRADAS, mas na época, foram consideradas ok, porque levava-se em consideração a diversão e o esforço mais do que a excelência da execução.


É bem mais legal também ver a reação natural da Bebe Zahara ganhando o programa do que a reação pré-gravada da Aquaria.


E acredito que existe uma infeliz coincidência entre a primeira temporada e a décima: o sermão egocêntrico de RuPaul no Reunited. Digo ser uma coincidência infeliz porque depois de tanto tempo, seria ótimo não precisarmos mais lidar com isso. Enquanto na primeira temporada, Tammie, Ongina, Shannel e Jade apontaram que se sentiram mal com as críticas pesadas sobre seus estilos e comportamentos, na décima temporada, tivemos Asia O’Hara defendendo que “drag queens também são pessoas” e afirmando ser ridículo o comportamento de RuPaul diante da saída de The Vixen da reunião. Em ambos os casos, RuPaul respondeu que a vida é assim mesmo, que ele enfrentou muito preconceito para chegar aonde chegou e que elas precisavam aprender a ser e agir da mesma forma.


Ok, eu entendo que o programa se chama RuPaul’s Drag Race e por isso temos a perspectiva de RuPaul sobre vida e competição. Entendo também que elas se colocaram na posição de serem julgadas. Entendo que é televisão e que na época vários realities tinham uma postura de crueldade mesmo. Entendo que o público AMA um drama, mas não canso de me perguntar se não foi o próprio formato que alimentou esse fanatismo furioso de muitos fãs de Drag Race. Veja, o mundo drag é muito maior do que um programa de TV, mas muita gente conhece a arte apenas pela ótica do programa, e muitas vezes as queens se passam por vilãs de um enredo quase de novela, passam por críticas de jurados que não aceitam seus estilos (como no caso da Adore que até desistiu da competição), passam pela pressão do jogo e da exposição em nome do sonho de uma carreira bem sucedida. É meio sádico! E não estou nem falando de All Stars, que impõe uma rivalidade ainda maior numa comunidade que deveria ser unida. 

Desde o início, elas foram apresentadas como produtos, sendo que drag é uma arte muito mais completa, bonita e complexa do que isso, vinda de um cenário de muita desvalorização, carência afetiva e preconceito social. É triste realmente que pessoas que já passam por situações difíceis na vida tenham que passar por isso dentro de um espaço teoricamente “acolhedor”.

Outra coisa que aconteceu no Reunited da season 1 e da season 10 foi a implicância de todas as queens com uma queen específica formando um bullying coletivo. Rebecca Glasscock / Kameron Michaels. E se você parar pra pensar, isso acontece em quase todos os Reuniteds. 


RuPaul’s Drag Race revolucionou o modo como as pessoas encaram a arte drag hoje em dia, mas ainda segue alimentando negatividade disfarçada de crítica construtiva. E eu não estou aqui pra reclamar do programa e ouvir “se acha ruim, não assiste”, mas sim pra apontar o quanto já é incrível e ainda pode melhorar.

A própria RuPaul já tem uma vibe mais “queria estar morta” na bancada, e todas as conversas sobre bastidores apontam que ela não manda mais em nada, que não sabe os nomes das queens, que segue um script. De quem é o programa então? As drag queens estão nas mãos de alguém que entende/respeita sua cultura ou alguém que viu uma oportunidade de lucrar com os sonhos alheios, mesmo que para isso elas precisem se machucar?


Sei lá. Dez anos se passaram. A arte drag ganhou um espaço enorme. Novas barreiras surgiram. E eu particularmente ainda amo a RuPaul, mas muitas perguntas continuam sem respostas.


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O mundo mágico de Valentina



“Hello, it’s me, Valentina!”. Bastou uma frase pra que a gente caísse de amores por ela. Mentira. Não dá pra generalizar. Muita gente não suporta o jeitinho sociopata dessa neném, e é por isso que nos reunimos aqui hoje, irmão e irmãs, para tentarmos adentrar o mundo mágico de Valentina, onde tudo é lindo, perfeito e parece a Linda Evangelista. Porque, sério, o caso é complexo.

Na nona temporada, Valentina era a queridinha dos jurados e não-tão-queridinha das suas concorrentes, mas como culpá-la? E como culpar a Aja, que desabafou o que todas ali pensavam? O charme da Valentina é irresistível, ao mesmo tempo em que é desafiador. Tente imaginar conviver com alguém que está focada em si mesma 200% do tempo, alguém que não enxerga defeitos em si e que não está realmente se importando com os sentimentos alheios. Pior, tente se imaginar competindo contra essa pessoa.


Se na nona temporada, Valentina teve uma eliminação histórica e uma coroação polêmica como Miss Simpatia, sua personalidade pareceu um mistério. Ela era fofa ou era uma cobra? É possível ser os dois? Confesso que eu estava torcendo por ela e fiquei bem chocada com sua saída emblemática. Na época, eu pensei que fosse algum colapso nervoso, mas hoje em dia, é muito claro que Valentina sofre de excesso de confiança. Ela não decorou a letra, porque não pensou que cairia no bottom (sendo que o desafio também foi todo improvisado quando deveria ter um roteiro escrito, novamente: excesso de confiança). Ela mesma acaba se auto sabotando quando age assim.

Houve boatos de que ela era chata com fãs no meet and greet, que exigia M&M’s vermelhos no camarim, que não se preocupava em nada com suas irmãs de reality. Enquanto isso, ela continuava plena no instagram. E a dúvida sobre sua personalidade remanescia.


Então chegamos ao All Stars 3, e lá está Valentina desfilando looks novos dentro do workroom, fazendo caretas no confessionário, dramas excessivos, cenas memoráveis como a eliminação da Farrah, a conversa com a Manila no sofá, a sinceridade com a Trinity ao dizer que não eliminaria a Latrice. Valentina está completamente focada em si mesma e parece nem notar o jogo. É uma excelente personagem de reality show, mas exige paciência até de quem assiste. E recentemente, no desafio Roast in Peace, Valentina pecou DE NOVO ao não pintar os olhos. Preguiça? Excesso-de-confiança. Sério. “Valentina” deveria ser um novo termo para definir pessoas excessivamente confiantes. Ela pensa que pode errar a letra, desfilar algo mais ou menos bonito, não finalizar a maquiagem, “entrar lá numa porra de uma fralda” que os jurados ainda a amariam e a manteriam no jogo. E ela não está totalmente errada, visto que RuPaul suspendeu as regras bem no momento em que ela seria eliminada. Cota ou não, é suspeito. Não é interessante eliminar a Valentina, pois ela oferece o entretenimento que um reality precisa pra se manter interessante. Você não consegue não prestar atenção nela, seja para o bem ou para o mal.


Estamos quase chegando ao final de All Stars 4 (eu não li nenhum spoiler, não me contem), o que será que será de Valentina? Vai vencer? Vai aprender algo sobre si mesma? Vai enxergar o mundo além de seu próprio umbigo? Não sei. O que sei é que a vida do modo como ela enxerga deve ser realmente linda.



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Latrila: quando a amizade é mais importante



Não é de hoje que a gente acompanha laços quase consanguíneos em RuPaul’s Drag Race. Especialmente em temporadas de All Stars, quando queens que já conhecem o gosto da derrota do programa voltam mais maduras ao workroom, mais cientes do que querem e do que verdadeiramente importa pra elas.

Como esquecer Raven e Jujubee dublando uma contra a outra e chorando, dramáticas? E a Detox salvando a Roxxxy, mesmo sabendo que quem merecia era a Alyssa? Há quem diga que é tudo encenação, estratégia, mas é inegável que exista laço sim. Quem convive com drag queens sabe que famílias realmente se formam nos bastidores. Eu sou capaz de imaginar queens brasileiras que chorariam sangue pra salvar uma amiga da eliminação, ainda mais num reality show onde a intensidade das emoções humanas funciona a serviço do entretenimento.


Dessa vez, foram Manila e Latrice que protagonizaram cenas de lágrimas e derrotas pessoais. Uma no bottom, tendo que aceitar que não levaria a coroa mais uma vez. A outra no top, tendo o destino da amiga nas mãos. Eu vi comentários de que a Manila entregou o lipsync pra Monique, mas devo discordar. Por mais roteirizado que seja o programa, a lealdade entre ela e Latrice é sincera desde o All Stars 1 quando as duas perderam juntas. Manila queria sim salvar a Latrice, e dizer que ela não se esforçou é praticamente tirar o mérito da Monique (que nesse caso, mandou melhor mesmo, apenas).

Então chegamos à cena em que todas estão sentadas ao sofá, Manila acabada de tanto chorar, enquanto as outras queens dão as mãos e a edição faz parecer que estão todas contra ela. Foi quase um remake das heathers contra a boogers, só que dessa vez a Manila era a booger. “Como você se atreve a não salvar a Monet se ela está indo melhor no jogo?” é o clima.


Manila explica no confessionário que o jeito como todas amam Latrice é diferente do jeito como ela a ama. As duas têm história. E até que ponto Manila estaria errada em proteger sua amiga num jogo como All Stars? Lembrando que as regras da própria RuPaul não são justas nesse formato (eu não vou nem falar da coroa da Shangela que é pra não ficar emotiva aqui). Nesse mesmo episódio RuPaul cancelou as regras justamente quando a Valentina estava prestes a ser eliminada, e eu AMO a Valentina, mas né... O que é uma Roxxxy Andrews sendo arrastada por rolaskatox perto de uma Valentina sendo arrastada por RuPaul?


Então, eu volto a perguntar: Manila estaria errada em proteger a Latrice? Qual a forma verdadeiramente justa e inteligente de jogar um jogo cujas regras mudam toda hora? Se encararmos All Stars como situações da vida: quanto vale pensar mais na nossa própria imagem do que nos sonhos dos nossos amigos?

Manila e Latrice, fora de Drag Race, estão em patamares de carreira superiores aos de suas oponentes e isso as isolava ali dentro. Agora a isolada é apenas Manila, e por mais respeitada que ela seja, isso não garante que ela seja salva pelas outras.

No próximo episódio, todas as eliminadas retornarão ao jogo. Teremos Latrice novamente e um reencontro das duas. Eu não sei o que será desse plot twist, e já tô preparando o textão das injustiçadas (espero não passar nervoso, dona RuPaul). Mas enquanto a gente aguarda o próximo episódio pra ver no que vai dar, segue um compilado de fotos dessas duas pra gente lembrar que comunidade drag é muito mais do que só competição e ambição:








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É só um texto sobre preconceito, não precisa fugir


Eu sei que só de ver a palavra PRECONCEITO, você já desejou automaticamente sair correndo e ler fofoca ou coluna de esporte. Afinal, esse assunto é tão chato, não é? Coisa de gente “mimizenta”… Falar resolve alguma coisa? Ler este texto vai mudar alguma coisa na sua cabeça? Talvez sim, talvez não. Se você não se der a chance de ouvir, nunca saberá o quanto tem a evoluir como ser humano. E é óbvio que todos queremos evoluir, se não, não existiria propósito em continuar vivendo em sociedade.
Mas vamos direto ao ponto, sem meias palavras: você se considera uma pessoa preconceituosa? Provavelmente disse que não, ou quem sabe até disse “um pouco”, mas dificilmente alguém dirá que é preconceituoso sim, que acha engraçado ou incômodo um casal de homens andando de mãos dadas na rua, que troca de calçada quando vê um rapaz negro por pensar que ele vai te assaltar, que faz piada com cego, que considera vulgar uma mulher de minissaia  ou que zomba do sobrepeso do coleguinha, porque é “só uma brincadeira”. A sociedade anda meio chata, não é? Não se pode mais falar nada, que coisa!
Ao contrário do que você pensa, o problema real não é a modernidade dos tempos ou a “exibição depravada” de nu artístico em museu, o que você chama de “chato” é só a verdade finalmente sendo dita. E a verdade é horrível, sinto lhe informar, pois ela tira nossos panos e revela o impensável: nós somos todos preconceituosos. Pode me incluir nessa. Nós reproduzimos discursos racistas, machistas, homofóbicos sem nos darmos conta, e se a sociedade lhe parece “chata” de uns tempos pra cá, é porque ninguém mais está afim de tolerar o intolerável. No dicionário a palavra PRECONCEITO se classifica como um “juízo pré-concebido”, mas de onde vem esse pré-conceito do que é certo, errado, elegante e difamatório? Vem de inúmeras gerações, vem de como dividimos o mundo em rosa e azul, de como as coisas nos foram ensinadas dentro de casa, na mídia, nos jornais. Se você pegar alguma revista dos anos 1950 provavelmente considerará ridícula a ideia de que as mulheres eram ensinadas a desligar os aparelhos domésticos da tomada para minimizar os ruídos e tornar a casa um ambiente agradável para o marido. Se isso já não acontece hoje é porque a sociedade evolui, e se por um lado você pode se abster da culpa de ter sido criado com uma visão de mundo ultrapassada, você não pode se abster da responsabilidade de acompanhar a evolução social. Você tem culpa sim ao reproduzir hábitos maldosos e disseminá-los por aí.
“Mas, caramba, eu não quero ser preconceituoso, mas também me sinto muito atacado, porque eu não posso falar mais nada! Como identificar o que é brincadeira e o que é preconceito?”. Vamos lá, não é tão difícil assim. Se você presta atenção em tudo o que coloca na boca, por que não presta atenção no que sai dela? As palavras são a arma mais poderosa de destruição e de cura. Cuidado com o que você coloca no mundo, apenas. Você insinuar que seu amigo heterossexual é gay como se isso fosse um vexame deixa a entender que você acha vexaminoso ser homossexual, entende? E enquanto você acha isso engraçado, só uma piada, um menino numa cidade do interior está levando surra porque falou mais fino na hora de pedir uma sobremesa. Jovens se suicidam todos os dias com medo de assumir suas identidades de gênero ou orientação sexual. Outros morrem em decorrência de distúrbios alimentares numa sociedade que cultua um padrão de beleza impossível. Você já sabe disso, você lê os jornais, é uma pessoa bem informada. Só falta agora ouvir mais do que falar. Se você está na dúvida se o que vai dizer é preconceituoso ou não, pergunte a si mesmo, pergunte a quem vai te ouvir, ou opte pela opção sagrada de não dizer nada. Entenda a única coisa que todos nós temos em comum: somos seres humanos e merecemos ser tratados como tais. Aprenda a conviver em harmonia com as diferenças entre as pessoas. Tenha paciência consigo mesmo e com as dúvidas que surgirem na sua cabeça, mas não as ignore, vá atrás de respostas. E se em algum momento disser alguma bobagem, não tenha vergonha de pedir desculpas, não há ato mais nobre do que assumir os próprios erros.
Pronto, é só isso. Por enquanto. E então, vai se transformar junto com o mundo ou continuar vivendo na ilusão de que o mundo vai se adequar a você?
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